Tutu de Feijão

O famoso tutu de feijão é uma comida irresistível nestes dias frios em que sentimos uma fome de leão. Consistente, enche nossos olhos de apetite por assinalar com mais sustância, mais calorias e ser um prato quente. Tudo o que o nosso organismo pede nos dias de inverno.

Essa iguaria tão brasileira, consiste na arte de engrossar o feijão já refogado com farinha de milho ou de mandioca. Na verdade, a farinha muda de região para região, de acordo com a oferta do ingrediente e os costumes. O feijão refogado com pedaços de bacon ou linguiça ou tudo misturado, assim como a quantidade e os temperos, depende também da região.

O famoso Tutu à Mineira ganha mais cheiro verde e pimenta-do-reino, enquanto que o tutu paulista e nordestino tem muito mais pimenta e variações com carne seca, assim como o tipo de banha com que se refoga o feijão. A banha de porco é muito usada em Minas, assim como pedaços de torresmo na mistura, ovos fritos por cima e couve para acompanhar.

MODO DE FAZER

De modo geral, nenhuma das receitas dispensa o alho frito e cebola na hora de refogar. Na tradição mais antiga, usava-se um macete de madeira (socador) para amassar o feijão. Hoje em dia, cozinheiros recorrem a um liquidificador e, para engrossar o tutu, alguns usam colheres de fubá coado dissolvidos no caldo do feijão. Depois de mexer o tutu, engrossa-se mais usando farinha de milho ou de mandioca.

Uma coisa é certa, cada cozinheiro tem o seu jeito de preparar essa delícia integrada às nossas tradições. Desde que teve sua origem no estado de São Paulo, faz parte do prato conhecido como Virado à Paulista – ainda hoje muito servido nos botecos e restaurantes da capital às segundas-feiras.
Porém, foi no século XVI, com a chegada ao Brasil dos portugueses, atraídos pela riqueza de ouro e diamante, que as misturas culturais aconteceram com mais intensidade, dando origem a pratos muito conhecidos até hoje. O tutu é um deles.

A imigração repentina de estrangeiros ao novo país encheu as cidades, que tiveram problemas com falta de alimentos. A regra então era usar pouco sal (um ingrediente caro naquela época) e inventar pratos que rendiam e realmente saciavam. Assim, os ingredientes produzidos na terra de forma rápida, como o milho, o feijão e a mandioca, ganharam muita popularidade e misturá-los foi a grande alternativa.
Daí a origem de pratos feitos com estes ingredientes básicos, acompanhados por couve, almeirões e outras folhas. Uma solução deliciosa que pegou. Assim, em especial a cozinha mineira se fez da simplicidade, mas com um grande capricho nos temperos e muita criatividade. Hoje, sabemos que ela é também uma das mais nutritivas e saudáveis.